02 janeiro 2013 0 comentários

O mundo não é chato.

     O mundo não é chato, meu querido, mas está somente e insuportavelmente assim. Não do verbo ser, mas, do estar; o mundo vem de bizarras normalidades, e, por esses tempos, te juro, Horácio, que anda infinitamente mais cinza e sem graça como talvez – não me lembro – nunca tenha realmente estado. Aqui chove, meu amigo, e tampouco sabe-se que existe luz.

      Porque o mundo, inevitavelmente, é cruel, e capaz de te destruir absolutamente com alguns poucos segundos. As situações trabalham pra que cada um de nós, qualquer dia, venha a sofrer; e, acredite, parte dessa crueldade reside em uns sofrerem mais que outros e sermos, até mesmo quando o assunto é sofreguidão, intensa e profundamente diferentes.

      A verdade é que os poetas estão errados sobre as dores; que aqueles que escrevem frases sobre elas estão enganados, ou, mais maliciosamente, escondendo a verdade; que tudo sobre as dores é propositalmente acompanhado de uma pequena tentativa de dizer que tudo vai passar. A verdade, Horácio, é que as dores são como as gripes: são de uma variedade imensa e, contra elas, não há imunidade qualquer; cura-se de uma e outra vem, quase sempre pior.

Lágrima;

29 outubro 2012 1 comentários

Procura-se um amigo para o fim do mundo.

     Há bastante tempo que um filme não me fazia chorar. Com este, em êxtase me derramei em lágrimas, e estas correram mostrando o que sentia o íntimo da alma. Não solucei - como fazem as crianças – , apenas estive pensativo e elas desceram em seu silêncio. Faz tanto que isso tinha acontecido, que sequer lembro-me; talvez tenha sido o espetacular Cisne Negro, com a brilhante Natalie Portman.

     Procura-se um amigo para o fim do mundo me surpreendeu imensamente, por que eu não esperava nada dele, à exceção da leveza típica, o riso – contido ou até mesmo histérico –, e talvez um pequeno ‘Ohh’ em ode ao amor, de um filme descrito e classificado, por toda a crítica, como comédia romântica.

     Também pois era protagonizado por Steve Carrell (O Virgem de 40 anos; 2005), do qual, inevitavelmente, eu sempre espero que dê vida a uma boa personagem cômica. Mas, o Steve mostrou-me um lado seu que eu ainda não conhecia: o lado do ator sério, meio dramático. E, no fim das contas, não foi o riso, e sim o choro emocionado o que o longa, e o ator, acabaram me tirando.

Procura-se um amigo pra o fim do mundo. 

21 setembro 2012 0 comentários

Onde eu nasci passa um rio.

      Onde eu nasci passa um rio de saudade. Saudade sim, com aquele leve gosto amargo de exílio, que floresce no fundo da alma, como se aquele rio passasse em meu coração, e dele meu corpo não pudesse ficar-se longe. Onde eu nasci jorra saudade em forma de rio, como se isso fosse inteiramente possível.

      O rio da minha terra também exala paz, tranquilidade. Caminha por sobre a terra sem nenhuma pressa de chegar ao mar, como se nele não deságuasse, como se ele pouco importasse. Ou, como se o tempo não fosse nada senão um capricho da natureza que o meu rio, por fim, se recusava a obedecer.

Jacobina!

12 setembro 2012 2 comentários

O Monstro da Fome!

     “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”, disse o poeta Caetano conseguindo resumir, brilhantemente, toda uma situação trágica em uma das mais marcantes frases da nossa história. Não que a frase consiga mostrar o horror da conjuntura, mas, decerto que mostra o caminho que deve ser trilhado para um mundo onde a nossa gente – toda ela – possa brilhar.

     Gente é pra brilhar, mas gente não pode luzir se por aí anda tombando, sem sua vida, por falta do que pôr na boca, se não tem como saciar as necessidades do próprio corpo. Gente, definitivamente, não pode alcançar os seus objetivos se, antes de podê-los tentar, é destinada a uma das mais agressivas e dolorosas das dores, é talhada para uma das mais brutas mortes.

A cara da fome!

06 setembro 2012 0 comentários

Café com Poesia.

     Esses dias peguei-me preparando um café, mais doce que o de costume, e pegando um surrado livro de poesias do Drummond. Entre as dores, felicidades, amores, amantes, pedras no caminho e outras estórias do poeta, não pude deixar de cair em um mar de lembranças que pessoas como o Carlos chamam de saudade, e eu gosto e prefiro chamar de saudosismo.

     Cair, nadar por toda a sua imensidão, sorrir por sua beleza, morrer de exaustão. Porque é doce morrer nesse mar de lembrar-se e nunca se esquecer de tudo o que a gente um dia já amou, ou ainda ama. Amor é feito de poesia, e poesias fazem amor; tudo quanto é poesia tem um quê do que nós fomos algum dia, e o café faz a gente viajar, se perder, faz-nos vivos.

Café com Poesia!

28 agosto 2012 0 comentários

PT x Sindicatos

     Como todos os casos de amor mantidos por interesses tem seu fim, aquele vivido pelo Partido dos Trabalhadores (PT) com os sindicatos não tardaria a findar-se. Até que durou por muito tempo, é verdade, mas o elo histórico não sobreviveu e agora, rompido, faz com que ambos sigam caminhos diferentes e divergentes. E nós, é claro, sofremos como os filhos de uma separação.

      Porque quando o governo resolve enfrentar os sindicatos, e a sindicância decide afrontar os que gerem, os espólios da guerra respigam exatamente no povo. Quem não se lembra da greve dos policiais militares no estado da Bahia, quando as ruas baianas mais pareciam estar dentro do Afeganistão em guerra? E quem lembra, sabe que o povo foi vítima de mais um embate.

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19 agosto 2012 1 comentários

Quem quer ser um namorado?

      Procuro um namorado para as minhas amigas. Portanto, se você for um homem confiante, siga com o texto. Se não for, obrigado pela visita. Se for uma mulher que se interesse, então creio que a proposta deve ser mais bem elaborada, pois ambas tem uma sexualidade definida e são, por ora, heterossexuais.

     Na boa véi, cadê os homens dessa porra?  Digo isso porque tenho duas amigas lindíssimas, inteligentíssimas, gostosíssimas, e de um ótimo humor, que estão solteiríssimas. Isso é possível? É improvável, mas sim, é possível e eu já estou abarrotado com funções que herdo com essa solteirice atual delas.

14 agosto 2012 4 comentários

Pobre Fernando Henrique…

      De demagogia e hipocrisia vive boa parte do Partido dos Trabalhadores (PT). A máscara dos hipócritas sustentada pela existência de caras demagogas, alimentadas pelo populismo e pela alienação popular. De alienação vive o Brasil e, talvez por isso, a grande parte dos problemas sejam aceitos, ou passem despercebidos do grande público, inclusive esse.

       Hipocrisia: substantivo feminino; caraterística daquilo que não é honesto; vício que consiste em aparentar uma virtude ou um sentimento inexistente, diria o dicionário. Hipocrisia: ato de criticar veementemente uma atitude do governo anterior e valer-se da mesma em seu governo, eu diria no contexto do assunto que me é hoje retratado e divagado.

Fernando Henrique Cardoso

 
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