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07 agosto 2012 3 comentários

70Anos Caetanos;

      Caetano no Oscar. Lembro que uma parte do Brasil vivia a apresentação do músico na cerimônia máxima do cinema mundial como um evento de orgulho nacional, como se estivéssemos com ele, controlando cada timbre da sua voz marcante e colocando no tom o baiano que nunca desafina. Éramos todos nele, e ele era a cara do nosso Brasil.

      Quando subiu ao palco do Kodak Theatre, em Hollywood, ao lado da cantora mexicana Lila Downs, Caetano tornou-se o primeiro brasileiro a cantar em uma cerimônia de entrega do Oscar. Nós, que já tínhamos torcido por Fernanda Montenegro outrora, então torcíamos por o baiano, que elegantemente trajava um justo terno preto e se comportava como uma estrela.

     Estrela que, em mais de cinquenta anos de carreira, jamais deixou de brilhar. Entre altos e médios, Caetano jamais esteve longe do topo, dos holofotes da música brasileira, por ser a especial figura daquele que nunca se torna velho. Sem dúvidas, o baiano jamais sucumbiu à improdutividade – tão marcante em vários colegas seus – e jamais foi “a mesma mesmice”.

“O tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece”.

Caetano

29 fevereiro 2012 0 comentários

Brown. Carlinhos Brown!

     Antônio Carlos Santos de Freitas. Reconheceria a figura, se um cidadão se apresentasse como um dos maiores compositores e cantores que a nossa querida Bahia tem? Se você não for um fãs bastante conhecedores dele, não, né?! É que seria bem mais fácil se ele se apresentasse somente por Brown. Carlinhos Brown.Brown. Carlinhos Brown!

     É que esse cara tem um jeito especial de cativar qualquer fã de uma boa música. Além de ser musicalmente um espetáculo, ele é uma daquelas pessoas pelas quais – e julgo apenas pelas entrevistas e aparições na televisão, além das músicas, é claro – não se pode sentir indiferença. Ou se gosta, ou não.

30 agosto 2011 11 comentários

É ela, Dani. Daniela!

     Pense n’uma baiana arretada… Pensou? Agora, confessa que pensou n’uma Ivete, uma Cláudia e uma Daniela. Não?! Mas, como?! Era imprescindível que  imaginassem elas, ou, ao menos, uma delas! Isto é um problema!! E, se não pensaram, o problema não é meu, é vosso. Portanto, procurem um médico!

     Porque, cá entre nós, as estrelas da nossa música são de uma irreverencia,Daniela Mercury; personalidade, e jeitos marcantes para qualquer memória. Além de todo o talento que esbanjam no palco, mostram, nas entrevistas, no contato com a mídia, o quanto são especiais.

     É sobre uma delas que gostaria de falar hoje, aquela que, sem dúvidas é minha favorita. Não seria bobagem ou hipocrisia minha dizer que prefiro Daniela. Não é por nenhuma característica que a distingue demasiadamente das demais, é só pelo gostar mais, por sentir maior afinidade, por sentir maior empatia pela obra. Enfim, pelo conjunto da obra me cativar mais.

16 agosto 2011 19 comentários

Putaria Musical Baiana

     Invertendo MPB, temos duas coisas. Primeiro, temos uma música de péssima qualidade; segundo, temos uma sigla diferente: PMB – Putaria [Não] Musical Baiana. Embora não seja propriamente novo, esse estilo vem atraindo inúmeras polêmicas, vem figurando entre os temas mais discutidos e é, sem dúvidas, um baita problema.

Super-Man!

     A Bahia é o berço musical do Brasil. Esta afirmação torna-se indiscutível quando citamos que daqui saiu o samba, João Gilberto [Bossa Nova], Gil e Caetano [Tropicalismo] e, mais recentemente, o Axé Music. Isso sem citar que daqui também saíram Bethânia, Gal, Ivete, Chiclete, Cláudia, Brown... Esqueci-me de alguém? Muitos, né?!

     Contudo, nos últimos anos a terra da música, de uma cultura ímpar vem abrindo espaço pra uma tendência, no mínimo, perigosa.

     Léo Santana;O chamado ‘pagode baiano’, ou, simplesmente ‘swingueira’ constitui-se, basicamente, de um ritmo –espetacularmente – dançante e rico, em contraste com suas de letras medíocres, porcas e de caráter extremamente ofensivo, juntamente com suas coreografias lotadas de erotismo, que denigrem o sexo como relação amorosa e rebaixam os seus dançantes, racionalmente falando, a um nível de ridicularidade e insensatez.

     Caso fosse apenas ritmo, a swingueira seria de uma riqueza tremenda. Sim, porque até o mais sisudo velhinho, ou o mais rabugento jovem, até os mais nerds, tem o corpo balançado, automaticamente, quando ouvem o pagode tocar. Até os mais experimentes críticos, conhecedores, músicos propriamente ditos, reconhecem isto. Caetano disse que o pagode é massa!

     Mas, não o é. O que tem de riqueza de ritmo, tem também de pobreza na letra.

     Por isso não considero o pagode como música. Na minha [leiga e pessoal] classificação, música tem que unir ritmo, letra, melodia e sentido. Não qualquer tipo de sentido, mas aquele que faça com que fiquemos fascinados; seja por já termos vivido aquela situação, seja por despertar sensações que gostaríamos de viver, e etc.

     Márcio Vitor.As letras associadas à esse ritmo, quase sempre, empregam um segundo, terceiro, quarto sentido, quase sempre associados ao sexo, denegrindo–o e manchando a imagem física e psicológica do sexo feminino. E isso não vem de hoje… Quem não se lembra dos clássicos versos: “Agora que tá bom, agora tá bonito, é que chegou o Chico Rola no forró do Zé Priquito…” ? Ou destes: “Me dá o toin, que eu te dô 10 conto…”. Inúmeras outras, precursora do Pagode Baiano.

     As letras, quase sempre, mostram a inaptidão, ou a própria maldade de quem as faz. São deprimentes, se analisadas longe do ritmo. Mas, não é isso o que as pessoas conseguem fazer. Por mais que não gostem, que critiquem, o ritmo atrai, faz dançar, mexer. E a letra condena. E, influenciada pela união de opostos que são letra e ritmo, nasce algo mais bizarro ainda: a coreografia. Resumida em uma única palavra: triste.Pare, pense!

     Discorda? Pare, pense. Consegue? Então, sigamos. Sente-se numa cadeira, de frente pra duas pessoas que estão dançando... Com algodão, ou qualquer coisa do tipo, isole acusticamente os seus ouvidos. Fez? Então, agora, preste atenção. Aguce o seu senso crítico – caso tenha um. O que você vê? O que você realmente vê? É bonito?

     Não, não é. É triste. É feio. E como os grandes feitos ou são frutos de extrema burrice, ou de extrema inteligência, a letra mostra realmente isso. Ou são burros demais, em não saber escrever uma letra, ou são extremamente inteligentes de não querer ela. Burrice ou inteligência?

     Por que o ritmo alucina – e isso só pode ter vindo da inteligência – e a letra atrai a má crítica – e isso só pode ter vindo da burrice; Chego a uma conclusão: Isto não é um grande feito. Nem de perto é. Como uma música de apenas refrão não pode ser. É um perigo.

     Violão,Sim, um perigo. Porque com essa sedentarização que é imposta ao nosso pensamento, é um verdadeiro golpe na cultura. Cada vez mais nascem músicas sem letra, sem sentido – propriamente pensante – e, cada vez menos, se vê a verdadeira essência da música => a mensagem que se passa. E, impensantes, sem inteligência, nada podemos fazer.

     O que se percebem é que se quer nivelar para baixo. E, a indignação que tive, quando vi aparecerem os monstros do pagode no Fantástico, dizendo que era tudo ‘normal’, que as mulheres ‘gostavam’ e que não havia maldade, traduzo aqui hoje, neste artigo. É mentira! Eles não se importam com a arte. Importam-se com as cifras. E só.Ivetão!

     Torço pra que o Sertanejo Universitário, o Forró, a própria MPB, o Samba, o Pagode tomem outras vertentes ao da swingueira. Invistam nas letras, nos sentimentos, nas situações que valem a pena se mostrar como arte. Não caiam na ilusão de que música foi feita somente pra se cantar. É mais do que isso: é traduzir para inúmeras, milhares, de pessoas uma mensagem.

     Rezo pra que os monstros da nossa música (Ivete, Chiclete, Cláudia, Paula, Luan...) continuem à Caetano;pleno vapor. Rezo pra que os mitos da nossa música (Chico, Roberto, Gil, Milton, Lulu...) ressuscitem e voltem a produzir, voltem a mostrar como é que se faz! Rezo pra que o mito Caetano continue à todo o vapor, mostrando –  dando o exemplo – de como se pode ser mito, e produtivo ao mesmo tempo.

     E, falando em Caetano. Não sei dos motivos dele ter dito que o pagode é massa. Talvez goste. Contudo, prefiro acreditar que foi de encontro à censura. Porque, pior do que tudo o que se diz contra o pagode, pior do que tudo o que se faz com o pagode, é pensar em censura. O Brasil não merece isso! Todos tem o direito de se expressar livremente. As consequências disso são outros 500. Mas, tem. E ninguém pode tirar esse direito.

     Censura?! Nunca. Eduquem nas escolas, façam pensar. E, então, teremos, novamente, revoluções musicais e boa música, para todos. O que vocês acham? Erratifiquem!

 
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