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12 setembro 2012 2 comentários

O Monstro da Fome!

     “Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”, disse o poeta Caetano conseguindo resumir, brilhantemente, toda uma situação trágica em uma das mais marcantes frases da nossa história. Não que a frase consiga mostrar o horror da conjuntura, mas, decerto que mostra o caminho que deve ser trilhado para um mundo onde a nossa gente – toda ela – possa brilhar.

     Gente é pra brilhar, mas gente não pode luzir se por aí anda tombando, sem sua vida, por falta do que pôr na boca, se não tem como saciar as necessidades do próprio corpo. Gente, definitivamente, não pode alcançar os seus objetivos se, antes de podê-los tentar, é destinada a uma das mais agressivas e dolorosas das dores, é talhada para uma das mais brutas mortes.

A cara da fome!

27 fevereiro 2012 1 comentários

Homens, e datas!

     Dizer que os homens não se lembram de datas é, no mínimo, hipocrisia ou desconhecimento. Falsidade que quem se baseia nesse ‘mito’ pra se justificar frente às mancadas que comente, ou ingenuidade de quem acredita em tamanha baboseira. Enfim, nós lembramos das datas, quando são realmente importantes.Declaração de Amor!

     Ficou com uma pulga atrás da orelha? Que pena, pois é verdade. Quase todos os homens, por deslize de memória, acabam pecando na data de comemoração do primeiro mês de namoro, do aniversário da moça, ou, pasmem, do aniversário de casamento; e, para se justificar, em meio àquela retórica que só fazemos quando precisamos nos defender, utilizamos da famosa: “É que homem esquece, querida!”.

18 outubro 2011 3 comentários

Enem, neném!

     Eu juro que não vou entrar em desespero. Juro que não vou. Mas, bem que eu queria, viu?! Rapaz, faltam menos de uma semana pro Enem e hoje, quando eu devia estar com a cabeça enterrada nos livros, exercitando meus músculos cerebrais, pus meus pijamas, as pernas pra cima e fui assistir um filme!

     Tranquilidade! Ultimamente eu estou com a clara sensação de que há algo errado comigo. Por que, sinceramente, a maioria dos meus amigos, agora, está descabelada, correndo para todos os lados e eu, na querida filosofia da ociosidade, estou agora escrevendo pra vocês. Nem me preocupei em revisão, ou fazer boa parte dos simulados que comprei, ou quem sabe em estudar mais um pouco. Gente, fudeu!

     Fudeu, porque eu tenho certeza que no dia da prova eu vou estar completamente tranquilo, vou sentar do jeito mais largado possível, e vou passar a prova toda mastigando chocolate, bebendo água e tentando levar os meus queridos amigos concorrentes ao desespero, com frases assim: “Putz, fácil demais. Próxima!”.

23 agosto 2011 0 comentários

Demagogia

     Nem parece hipocrisia, tampouco é. Eu não gosto de demagogia. Não gosto de usar, não gosto de ver. Dizer que odeio seria algo pesado demais, e só por isso não usei o verbo ‘odiar’, pra definir o meu pensamento acerca desse artifício tão usado antiga e atualmente.

     Política e Demagogia;Demagogia: Política que favorece as paixões populares. Ato, ou efeito de agradar com discursos e/ou falas extremamente bajulares, que remetem a um puxa-saquismo nato daqueles que desejam alguma coisa, e chegam aos fins para tal.

     Portanto, já que todas as pessoas são movidas por quereres, e a maioria delas não conhecem os limites para consegui-lo, a demagogia figura entre os meios mais usados para chegar-se á um objetivo. Porque é encarado como o jeito mais afável, e, talvez, menos perigoso de fazê-lo. Contudo, não o é, é bem próximo do contrário disso tudo.

     Pode ser o jeito mais afável para quem não o percebe. Afinal, o sorriso dissimulado e o jeito hipócrita de falar as coisas não podem ser encarados como afável. Pode? E, digamos que também não é o menos perigoso. Isso porque, ao ser demagogo, corre-se o risco, e o geralmente ele se consagra, de subjugar-se ou desdenhar-se do pensamento de outrem.

     Pode parecer confuso, mas eu explico. Vamos lá!

     Digamos que eu não concorde com o que Marília Leite – e cito-a por também saber da sua aversão, e capacidade de reconhecer a demagogia – está falando de uma proposta que ela tenha, pra turma do nosso 3º ano; Eu não concordo com ela, não gosto do projeto. Mas, não falo nada, porque quero que ela aprove o meu projeto...

     Pode parecer uma simples troca de favores, mas a demagogia se esconde por trás disso tudo. Afinal de contas, eu não vou ficar calado enquanto Lila estiver falando, vou ter que concordar, mostrar o meu apoio e, se for um bom político (e entenda todos nós como seres políticos) irei, inevitavelmente, elogiar, incentivar e fazer uma ótima crítica construtiva – e falsa.

     Ótimo, chegamos ao ponto. A demagogia é um ponto fortemente ligado à falsidade. Tão ligado que chega à parecerem – quase – iguais. Porque, falar algo simplesmente para agradar, quando você realmente é avesso ao que está acontecendo, em alto grau, é demagogia. Política e Demagogia II;E, falar isso, à inúmeras pessoas, seja num discurso, numa palestra, ou em mídia de alto alcance popular, configura uma demagogia altamente perigosa para o interesse de toda a população.

     Isso porque muito da mentira das figuras políticas que elegemos, de dois em dois anos, é baseado no ser demagógico que cada político tem. Eles falam o que nós gostamos e ouvir e fazem o que não queremos que seja feito. É mentiroso, é despótico, é ridículo. É demagógico.

     Contudo, não podemos, jamais, confundir demagogia com gentileza. Gentileza é uma virtude humana. A virtude de se calar perante uma pequena coisa que você não goste, para não ferir o outro, a virtude de fazer vista grossa pra uma gafe, ou de fazer um pequeno elogio, à fim de incentivar e levar a moral de uma pessoa, sempre sem fins lucrativos ou benéficos para você, senão, puramente, proporcionar o bem.

     Então, vamos acabar com a demagogia. Soa feio pra quem faz, soa feio pra quem vê. E você, leitor, o que acha? Erratifique! =)

24 maio 2011 0 comentários

Pré-conceito vs. Preconceito’

     Igualdade, Fraternidade e Amor!O preconceito existe, e esta verdade é irrefutável. Contudo, é irrefutável também a ideia de que foi se tornando, com o passar do tempo, modinha. Foi se tornando uma desculpa, um trampolim para pensamentos absurdos e ações puramente toscas, ingênuas e altamente destrutivas para a sociedade. Tudo isso põe em risco a nossa busca por igualdade, os nossos direitos civis e humanos, e, até mesmo, vejamos isto, a nossa língua.

     Na tentativa de combate à um mal que nasceu com nosso conceito de povo, ou até mesmo antes, no período colonial, vemos que ações contraproducentes e até mesmo prejudiciais são tomadas. Talvez a culpa deva ser creditada ao desespero, ou o desespero seja consequência da pressão aplicada por a situação àqueles que velam por nossas leis, e até mesmo em nós. Talvez seja só modinha.

     Os governos, ao invés de apostar na educação e mudar os alicerces da nossa sociedade, alterando os cursos dos menos favorecidos pelo passado, e drasticamente, investir de forma ultrarradical no combate à pobreza e à desigualdade, vai a vias dos caminhos mais fáceis e dão aos pobres, direitos e ajudas extras. Assim, separam ainda mais a sociedade em classes, e embora obtenham certo tipo de sucesso em seu objetivo, condenam o país à eterna desigualdade. Talvez porque educar fique mais caro. Talvez porque educar era já mais difícil. Talvez porque educar não seja preciso.

     Por que é isso o que está subentendido com as novas decisões do MEC. Livros que incitam o aprendizado da língua padrão, e determina que a sociedade se nivele por baixo, começam e começarão a ser distribuídos. Por que, é claro, criticar construtivamente em prol da educação e sabedoria do nosso povo e manutenção da Língua é agora chamado de preconceito. Aliás, tudo é chamado de preconceito, menos aquilo que deve ser.

     Porque não é preconceito separar a sociedade em raças, cores, origens e o diabo e favorecer uns e detrimento de outros, como se faz com algumas leis, com as cotas, não é mesmo? Por que não se fere o direito da livre expressão quando se proíbe o uso de termos para caracterizar uma pessoa, não é mesmo? Por que é normal obrigar-se o uso do termo ‘afrodescendente’ para designar pessoas pretas, negras, estou certo?

     Esquecem-se o real significado de preconceito. O conceito que é dado antes, por intuição, por rosto, por ideias. Não é preconceito desculpa para as loucuras do Congresso Nacional, ou loucuras agressivas de um povo prestes a ter um colapso em uma sociedade tão vulgar e desprovida de ética. Pré-conceito é uma coisa. Não confundamos com os novos conceitos que a palavra toma com as situações existentes. Estamos errados. Estamos todos errados.

     Não se passa pela cabeça daqueles que velam pelas leis, e de nós, povo, que estamos indo pelo caminho errado. Que só nos livraremos das desigualdades quando assumirmos que elas existem e quando tratarmos como normais. E isso vai acontecer naturalmente, educando-se, e com o convívio com a diversidade existente. Não adianta forçar, e para isso assassinar conceitos, fé e a nossa Língua. Não precisamos matar, para promover a paz. Não precisamos.

Pelo Fim do Preconceito!

20 maio 2011 0 comentários

[O Poder Da Solução’]

     Poder!O poder é o homem mais desejado do mundo. Estampando uma imagem hercúlea faz as mulheres se atirarem e a homossexualidade ser normalizada e consentida. É ambicionado como um diamante, por ser justamente um. Uma joia que concede ao seu possuidor um domínio sobre situações e as pessoas, lhe dá o direito de fazer o que desejar, dominar tudo como bem entender.

     Contudo, é o tipo de relíquia que pode fazer da mão o objeto, e de si o indivíduo. É o brilhante que faz da pessoa um ser sucumbido à si, quanto o corpo não se mostra superior à ele. Enfim, o poder pode representar um perigo quando não bem domesticado. A posse remete a cometer erros jamais cometidos quando se está sem ela.

     Esse direito de agir, de decidir, de mandar é o alicerce que para uma pessoa pode representar o caminho para o topo, porém, é o que também poderá lhe servir de trampolim rumo ao aconchegante calor do inferno, principalmente devido aos seus alvitres. São a corrupção e a soberba os mais conhecidos. A soberba faz com que os valores humanos sejam despercebidos e o ser torna-se capacho de quaisquer sentimentos ou ações fortes o suficiente para tomar-lhe o corpo vago de importantes sentimentos éticos.

     Há quem diga que o mundo é dos espertos, e associam ser astuto com ser corrupto. Essa, a ação de corromper, nada mais é do que a forma com que se utiliza o poder para adquirir certas vantagens, onde uma criatura se beneficia e acaba por prejudicar outra. Operam assim por ter o domínio nas mãos em conjunto com algumas regalias, o que facilita, pois, abusam da posse e depois, para desaparecerem de problemas judiciários, podem usar todas as armas de defesas que eles têm por direito. Inclusive, que se ressalte, isso é uma forma de corrupção.

    O poder da solução está na realização de um imaginário ideal. E você acredita em solução?

[Trecho]

[Fernanda Gonçalves, Augusto Luiz, Tâmara Rios]

13 maio 2011 0 comentários

O Revés Da Mica!

     Micareta De Jacobina'A micareta é, classicamente, um lugar pra curtir, se jogar na alegria e extravasar. São aqueles dias que você foge da rotina, pra embarcar em uma aventura, onde a adrenalina se eleva, e nos proporciona picos de uma emoção memorável. É alegria líquida, que a gente bebe, e logo vê o efeito.

     Mas, como nem tudo são flores, sempre há aquelas pessoas, que desprovidas de noção, e/ou senso de real diversão, tratam de querer findar a paz alheia, com diversas ações que soam, no mínimo, como intrusivas, chatas e grosseiras. Pessoas que não se importam em, de alguma forma, deixar a micareta de alguém pior, muito ou pouco.

     Existe a galera do puxa. A galera que vai à micareta pra “pescar”, que não se importa com a vontade do outro, e praticamente força o beijo. Pessoas mais velhas que se aproveitam da farra pra praticar a pedofilia, e aproveitar-se da inocência ou malemolência das outras. O respeito vai pros ares, e, existem indivíduos que passam mais tempo dando, ou recebendo negativas do que propriamente se divertindo.

     Isso porque as pessoas são se importam mais em receber um ‘não’, e eu acho isso um absurdo. Uma negativa, que deveria derrubar a autoestima, e baixar a bola do pessoal, agora é tratada como um estímulo. Vai saber o que se passa na cabeça desse povo... Eu não sei, nem quero saber como funciona. Porque eu, em contrapartida, não ficaria nada legal com ‘não’. Tanto é que sempre me esforcei para não levá-lo, e sempre obtive sucesso, modéstia à parte.

     Ainda há os roubos, e às mortes. Embora exista a força policial, para amenizar um pouco essas situações, ainda acontecem e muito dessas pessoasMicareta' partirem para a maldade excessiva e irracional, e praticarem esses crimes horríveis e, para alguns, imperdoáveis.

     No mais, sigo curtindo. Vou para me alegrar e me divertir, e, se alguém não vai: azar o deles. Sigo vendo tudo isso, o medo também me aflige, e sem meu crucifixo no pescoço – que não posso usar por ser de ouro – fecho meus olhos, e uso aquele provérbio, que exprime a minha fé: “O Senhor é meu pastor, e nada me faltará!”. Começa hoje, vamo que vamo!

22 abril 2011 0 comentários

A 6ª Da Paixão’

   Jesus Crucificado' Há milênios a intervenção divina foi necessária. A paixão, o amor de Deus foi derramado sobre o mundo, e a humanidade viu, por si, o maior sacrifício que já existiu. A morte de Jesus Cristo, em prol de redimir os pecados dos humanos, marcou para sempre a história.

    Contudo, parece que, hoje em dia, esquecem-se as pessoas do verdadeiro motivo da Semana Santa. As pessoas, em sua busca incessante pelo prazer – e isso se chama hedonismo – esquecem-se do porquê de pararmos nossas atividades cotidianas.

    Não dá para entender o que se passa na cabeça de um cristão que Jesus Cristo'sai às festas na semana santa e justifica que está celebrando a vida. Celebrando a vida de quem? A vida de Cristo, que foi doada à nós, pecadores, em um sacrifício doloroso, e angustiante? Ou à própria vida, que só existe por tal ação misericordiosa?

    Jesus seguiu até o fim àquilo que acreditava, e pregava. Jesus obedeceu a seu Pai até o fim, e, no entanto, as pessoas hoje em dia encaram isso como apenas mais um feriado, apenas mais uma oportunidade de organizar, agendar e curtir uma festa. Um deus curvou-se à dor humana, à vida entre aqueles lhes deviam obediência. Morreu por quem devia respeitá-lo, e hoje, fazem dele apenas o motivo de um feriado?

    Podia-se comparar Jesus, então, à Tiradentes; cujo único legado, para o povo, foi fazer do dia 21 de Abril um feriado nacional. Podia compará-lo à qualquer um, já que sua morte não é respeitada.

    Não devemos celebrar em datas tão obscuras, datas em que a maldade humana foi responsável por a morte – humana – de seu Deus. Pai' Devemos apenas agradecer. Comemorar, recatados, unidos em uma grande família, a ressurreição. A Páscoa, meus amigos, é mais do que comer ovos de chocolate, ou vadiar por as festas, ou folias da vida.

    Mas, se a lembrança da morte de Cristo é tão desimportante - é só um feriado – o bom-senso, a quem importa o bom-senso? Não é demagogia, é apenas a revolta com a quebra de tradições que jamais deveriam ser quebradas; não por motivos tão tolos.

    Que Cristo esteja conosco. Boa Páscoa!

12 abril 2011 0 comentários

A Crueldade De Realengo’

     Conforme o prometido, falar-vos-ei sobre a barbárie, a covardia de um ser desumano, que em busca de vingança, em função da prática de um ideal torto e infundado, baseado na loucura de pensamentos absurdos, assassinou almas inocentes, ceifou vidas indefesas. Atentou contra a pátria.

    O Monstro De RealengoWellinton Menezes de Oliveira, cujos propósitos se exemplificavam no pensamento/plano de jogar um avião contra o Cristo Redentor, invadiu na última quinta-feira, uma escola no Realengo, periferia do Rio de Janeiro, e matou doze crianças, além de ferir mais doze. Logo após ser atingido por um policial, suicidou.

     Para insanidade não há limites. A própria insanidade prega a quebra de quaisquer um. Portanto, a brutalidade, o ato covarde e desleal não pode ser classificado senão como insanidade, como falta de razão ou de sentimento humano. Não há como não classificar de monstro o indivíduo que faz, ou até mesmo que pensa em fazer o que ele fez.

     Sim, ele é um monstro. E, todos nós, torcemos para que ele pague pelo que fez, onde quer que esteja. Pois, mesmo insano, não se pode perdoar tal ato, não se pode esquecer aquelas pobres pessoas que tiveram suas vidas abreviadas pela ação de um louco, de um militante da maldade e da falta de amor. Que ele queime, no fogo eterno do inferno.

     E não falo isso como demagogia, ou como simplesmente ódio pelo que aconteceu. Exponho somente a minha opinião; o meu senso de justiça me diz isso e eu sigo. Adoraria vê-lo passar anos atrás das grades pagando pelos seus atos criminosos, pois vejo que a morte não é pena justa à ele, muito menos vinda de suas próprias mãos. Contudo, confio na justiça celeste.

     Porque embora o culpado, o assassino tenha sido vítima de um sistema falho, não está isento de nada por isso. O bullying sofrido, os traumas de infância, podem tê-lo ajudado a desenvolver esses pensamentos terroristas, mas jamais serão os culpados por essa barbárie. O ato de ceifar 12 sonhos, e de comprometer outros doze. De acabar com o sonho de viver.

     E, quando me perguntaram, se eu o mataria – já sabendo o que ele iria fazer, momento antes; e caso fosse a minha última opção – não hesitei: “Sim!”. Pois, embora matar vá de encontro as meus princípios ideológicos, essa tragédia vai de encontro à minha humanidade. Mataria sim. Mataria, pois caso tivesse feito, não seria como foi.

    A solução, claro, não é outra senão a educação. É o trabalho psicológico em nossas crianças, divulgado pelo ensino, pela cultura e conhecimento. “Ou então, cada paisano e cada capataz, com sua burrice fará jorrar sangue demais; nos pantanais, nas cidades, caatingas e nos gerais... Será, que apenas os hermetismos pascoais, e os tons, os mil tons, seus sons e seus dons geniais nos salvam, nos salvarão dessas trevas e nada mais...?”.

Podres Poderes'

“Será que esta minha estúpida retórica terá que soar, terá que se ouvir, por mais zil anos...?”  - Em aspas, trechos da atemporal poesia Podres Poderes, de Caetano Veloso, cujo link está na imagem acima.

08 março 2011 0 comentários

Aos Amigos Portugueses,

   image Aos amigos portugueses, devo dizer que gostamos muito da “terrinha” e que o sentimento de admiração que nutrimos por vossa gente e por vossa cultura transforma-se em uma grande vontade de cruzar o Atlântico para conhecer-vos por inteiro. E, que as coisas por aqui nunca foram boas.

    Aos amigos portugueses, devo falar que amamos expressões de sua cultura, visto que amamos Camões, Pessoa e Saramago, além de tantos outros. Contudo, sempre gostando mais do seu povo cordial e simpático, dos quais ainda podem, e surgirão, inúmeros outros ídolos. E, que as coisas por aqui não estão boas.

    Aos amigos portugueses, devo agradecer por nossa língua. Dizer que em nenhum outro lugar do mundo, ou de outros mundos, existe quaisquer mais completa e bela, tão expressiva e tão uniforme em suas grandes diferenças regionais. Dizer que com vosso sotaque, ela ganha um detalhe especial, e que também admiramos isso. E, que as coisas por aqui nunca foram ruins.

    Aos amigos portugueses, devo expressar nosso olhar embevecido, quando sabemos que nossos ídolos também são seus. De dizer que ficamos com os olhos brilhando ao vermos que curvam-se em aplausos, como nós, diante da obra de Caetanos, Chicos e Machados; prometemos, em troca, que da nossa gente sairão tantos outros. E, que as coisas por aqui não estão ruins.

    Aos amigos portugueses, devo desculpar-nos por nossa alma piadista e por nosso humor exacerbado contra vossas pessoas. Não culpem-nos, pois sempre queremos sorrir, e, por isso, brincamos com todos. Mas, não são maléficas as gracinhas; são compostas de admiração por vós. E, que as coisas por aqui estão no meio termo.

    Aos amigos portugueses, devo afirmar que, embora existam diferenças significativas entre nós, não existem nenhuma gigantesca. Dizer que a única coisa que nos separam é a enorme poça de água salgada que chamamos de Oceano. E, que as coisas por aqui precisam de mais sorte.image

     Aos amigos portugueses, gostaria de agradecer por as visitas à esse modesto blog verde e amarelo, que já entram na barreira da centena. Gostaria de vos falar que fico lisonjeado com sua atenção e seu carinho no ato de ler este mero projeto de escritor. E, que as coisas por aqui estão melhorando, e irão melhorar.

    Aos amigos portugueses, um terno abraço brasileiro.

18 fevereiro 2011 1 comentários

Presidenta?!

    imagePresidenta: Palavra gramaticalmente aceita, ridiculamente falada.

    Dizem os linguistas, os mais entendedores da Língua Portuguesa, e os ilustres professores de português, que o uso do termo ‘Presidenta’, pra designar uma mulher que preside, não é incorreto. Contudo, jamais vi alguém falar disso com um sorriso, vontade, ou, no mínimo, satisfação no rosto. Falam quase que forçados, o que me leva a entender que não concordam.

    Eu não concordo. Eu não concordarei. Aliás, em todas as vezes que ouço o uso desta palavra meus ouvidos doem, e a parte de mim que gosta da nossa língua, lateja, implora por uma réplica, implora pra que eu corrija aquele infrator que fala. Porém, não posso, não devo. Afinal, se dizem os linguistas e os próprios dicionários que é correto, não é de minhas possibilidades a correção de algo que é correto, embora feio e de uso duvidoso.

     Assim, apelo ao bom-senso – que falta à maioria das pessoas. Sempre que há uma discussão sobre essa polêmica (sim, pra mim já é polêmica), eu exponho meu ponto de vista, faço o papel de oposição e, incrivelmente, vejo que a maioria, formada por inúmeras mulheres, concorda comigo. Logo, porque o uso desta palavra, se as próprias mulheres rechaçam o seu uso? Qual o porquê de tudo isso?

     Dizem os maiores defensores do uso desta, que é o feminismo a gasolina disso tudo. Mentira. Não vejo nada de feminista nesta ação, não vejo a elevação das mulheres à lugar nenhum com o uso deste termo, nem vejo esse como um caminho à equanimidade entre os gêneros. Não vejo nenhum dos ideais feministas à toda essa situação. Feminismo não é, é jogo de interesse de alguns, jogo político.

     Jogo político, usado violentamente no ano passado para atrair votos de mulheres à uma candidata mulher e que transformou o uso do termo em modinha. O termo, até então quase desconhecido, foi lançado à nós, povo, de uma maneira agressiva. Fomos forçados à vê-lo em circulação e, é claro, algumas pessoas, que não conhecem os ideais feministas, tomam como tal e orgulhosamente repetem.

     Sinceramente rezo pra que os dentistas, artistas, estudantes ou seus companheiros, que possuem um substantivo comum de dois gêneros para os definir, não arquitetem uma jogada de marketing, ou não despertem o desejo louco e gramaticalmente injustificável de separar-se os gêneros para criarem duas palavras. Espero ainda mais que, se forem criadas, não sejam horrivelmente chatas de se ouvir. A língua não deve se curvar à interesses, os interesses que devem se curvar à língua e às suas regras.

    No mais, acho que ações maiores devem ser feitas pra buscar a igualdade entre os dois gêneros, e uma ação bizarra como o uso de um termo ‘feio’ como este, não ajuda, só atrapalha. Porque, além de não ajudar em nada, só força à língua e o povo à uma adaptação inútil. Aliás, nem gosto de gramática!

 
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