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06 setembro 2012 0 comentários

Café com Poesia.

     Esses dias peguei-me preparando um café, mais doce que o de costume, e pegando um surrado livro de poesias do Drummond. Entre as dores, felicidades, amores, amantes, pedras no caminho e outras estórias do poeta, não pude deixar de cair em um mar de lembranças que pessoas como o Carlos chamam de saudade, e eu gosto e prefiro chamar de saudosismo.

     Cair, nadar por toda a sua imensidão, sorrir por sua beleza, morrer de exaustão. Porque é doce morrer nesse mar de lembrar-se e nunca se esquecer de tudo o que a gente um dia já amou, ou ainda ama. Amor é feito de poesia, e poesias fazem amor; tudo quanto é poesia tem um quê do que nós fomos algum dia, e o café faz a gente viajar, se perder, faz-nos vivos.

Café com Poesia!

15 dezembro 2011 0 comentários

Diamante Verdadeiro.

Bê! :D

     O que você faria, caso avistasse o maior diamante que já havia visto, e querido? E se esse diamante falasse – as mais belas palavras -, sorrisse – o mais fofo sorriso -, e tivesse sentimentos – os mais adoráveis e apaixonantes deles -? Eu posso te dizer o que fiz: Roubei-o, fiquei-o pra mim e jamais devolvi; jamais devolverei. Amei-o, como a mim mesmo.

     E amo-o, bem mais que ontem, bem menos que amanhã, tendo a  certeza de que esse diamante me pertence, por também me amar. É o que nos prende, nos mantém juntos; o que mantém a bela joia – a Tâmara – ligada à este errático. Haveria então de ser algo muito grande, para que um pertencesse ao outro, sem nunca, jamais, estarmos presos.

     Porque a gente sempre foi de liberdade, assim como sempre fomos de inúmeras brincadeiras e de tantas maluquices, de tantos fatos interessantes, ou não. A gente sempre foi de uma amizade intensa, que atingiu o seu pico, e conseguiu se manter nele  até então. A gente se conhece, se define, se ajuda, se descreve.

21 outubro 2011 0 comentários

Amigos, amigos.

     Amigos, amigos, são aqueles caras que sempre estão lá, com a camisa oito, prontos para entrar em campo quando qualquer uma das estrelas do seu time, por alguma razão, tem que sair. Não são de brilhantismos e excentricidades, mas sempre podem substituir, à altura, qualquer craque, em qualquer situação, com a humildade de vestir “apenas” a quase inexpressiva camisa oito.Qual nosso problema?

      Amigos são de substituição. São as pessoas que podem substituir o teu pai, quando, por alguns momentos, este se fizer ausente, ou o teu irmão, quando você não tiver um. São aqueles que podem substituir o teu namorado, quando ele tiver de sair de cena. Ou, podem até mesmo substituir o padre, quando a confissão for pesada demais. E, mais, suprir a Laura Miller, quando o assunto for sexo.

     Porque, se bem analisados, os amigos podem, enfim, realizar quase todas as funções. E é para isso que normalmente são treinados. Amigo, amigo de verdade, não é aquele especializado, phD, em uma função. Mas, aquele capaz de ser versátil o bastante para ser o melhor em todas, em absolutamente todas as funções.

23 setembro 2011 2 comentários

Dama de Vermelho.

     Dama de Vermelho.Eu sabia que ela viria. Por isso, não entendia o motivo da minha tristeza e da minha solidão. Talvez ela estivesse demorando demais… Mas, ela viria. Embora tivesse todos os motivos do mundo para não vir, ela jamais havia me deixado na mão, em todo aquele tempo.  Não poderia, e não seria diferente agora.

     Rodei o salão à sua procura. O baile estava lindo, a música era perfeita, e as pessoas estavam muito bem vestidas… Eu parecia ser o único cara só da festa, o que era muito comum, já que era pra casais e eu tinha convidado ela pra vir comigo; ela, à que eu sempre confiara tudo o que podia-se imaginar. Era viria, viria logo, eu tinha certeza.

     E ela veio.  Todos pararam de dançar. O cantor, no palco, não pôde cantar mais, pois estava boquiaberto.  Eu próprio estava boquiaberto, espantado com tamanha beleza. Sempre fora linda, espetacularmente linda; mas, por mais impressionante que fosse, estava mais ainda. O meu rosto, incrédulo, atestava isso.

26 agosto 2011 0 comentários

Amanhecer,

     Osíris, Isis e Hórus.Certa vez existiu um deus, que com todo o seu esplendor e sua onipotência atraía o olhar invejoso dos outros deuses, que não tão poderosos quanto ele, sempre viviam com o desejo ardente de usurpar-lhe o poder e, assim, ter o seu cargo, a sua função. Aonde quer que fosse, os olhos invejosos perseguiam o deus-Sol, como sombras.

      Não era à toa que Osíris fosse tão poderoso. Era o mais bondoso dos deuses, e, todo o seu esplendor, era prova do seu amor. Representava a luz, a vastidão dos significados que elas trazem para nós. E a sua popularidade, sua bondade, e sua luz, eram os principais motivos de sua popularidade. Além de tudo, ainda era o deus da vegetação e da vida no além.

     Ao contrário de Seth, o deus da escuridão, Osíris era muito popular. Isso fazia de Seth a sombra mais importante daquelas que perseguiam Osíris. Era o mais invejoso, aquele que mais desejava o seu poder, e quem mais tramava para fazê-lo. Seth, irmão de Osíris, desejava tanto o poder deste, que, por fim, tramou e fez sua morte. O deus estava morto, pois sim, eles eram mortais.Isis;

     O mundo então entrou em uma escuridão profunda, imensa. O sol não surgiu, não havia sequer resquícios de luz. Mas, havia o amor. O amor de Isis, deusa, irmã e grande amor da vida de Osíris. Isis chorou, até que não houvesse mais lágrimas, até que não pudesse mais chorar. Seu amor, e somente seu amor, mantinha o mundo vivo, mantinha a vida.

     Vendo o sofrimento de sua mãe, Hórus, filho de Osíris, partiu para vingar seu pai, e restaurar a alegria de sua mãe. Marchou à procura de Seth e o desfiou para uma batalha mortal. Depois de uma sangrenta batalha, que durou inúmeros e incontáveis dias, constituída de golpes hercúleos e de força divina, Hórus venceu Seth e ressuscitou Osíris.

     Em toda essa lenda, Osíris representa o Sol, com todo o seu esplendor; Seth, a noite, a morte do sol, o seu fim; As lágrimas de Isis deram origem ao Rio Nilo, e representam o amor – que sempre triunfa; e Hórus, representa o amanhecer, que sempre trás o Sol de volta, depois de toda a noite, de toda a escuridão.

     Espero que tenham gostado da minha versão para a lenda de Osíris e Isis. Gostaram? Erratifiquem!

03 maio 2011 0 comentários

Saudade,

     Saudade'Talvez não haja algo mais doloroso do que a saudade. A saudade dói, apertando o peito e dilacerando o coração; capaz de retirar a lágrima mais pura, aquela que fica no fundo d’alma, esperando o sofrimento mor vir, e levar a gente a desejar arrancar o músculo sentimental do peito, e jogá-lo em um lugar que ninguém, jamais, possa encontrá-lo.

     Consome por dentro, e desejamos lavar os olhos, esquecer. Por que até mesmo a dor do esquecimento não se compara. Esquecer-se se torna até a consequência natural. Uma dor, para curar uma maior. Poderia o sofredor queixar-se do esquecimento, se a saudade lhe consome a vida e lhe arranca os momentos de diversão? A saudade dói.

     E dói tanto, porque é consequência direta do amor. Quem ama, sente saudade. E não importa as ramificações do amor, nada que derive de algo tão grande pode ser ignorado. O amor gera a saudade. E, mesmo abandonados, o que sobra, depois da raiva, do ódio, do rancor, é a saudade. É a última consequência de quem ama, antes da solidão, sua maior aliada.Saudade De Amor'

     E então, tentamos, ao sentir, nos distrair. Resistir e lutar. Mas, somos humanos. O que fazer? Pedimos que quem vá leve as recordações, os olhares e afetos. Que leve tudo. Mas, tudo insiste em ficar. E dói. Dói mais. E continua doendo. Enfim, a saudade é o sentimento dos poetas, que tristes e solitários transmitem com o grafite todo o seu pesar ou seu contentamento.

     Porque saudade é sentimento de quem se ama. Até saudade tem seu lado bom, não é?

18 março 2011 2 comentários

[Eu, Eu Mesmo & Fernanda]

     O filme já estava no auge da sua metade e eu o estava achando horrível. O roteiro era de, basicamente, morte e sangue, sangue e morte, e tinha um pouco de beijo também, em meio ao Recatada'líquido vermelho que usaram de dublê, é claro. Seria nojento, se a gente não soubesse que eles usam algo artificial pra ilustrar o circulante das veias, ou pelo menos torço pra que façam mesmo isso.

      Infelizmente, ninguém parecia compartilhar do meu gosto, estavam todos absortos nele, à exceção da garota ao meu lado. “Era hora de conhecê-la”, pensei. Aliás, mentira. “Era hora de agir”, pensei. Com um toque em uma de suas mãos chamei-lhe a atenção e, num sussurro, lhe questionei:Do Desejo'

- Qual o seu nome?

     - Fernanda, Fernanda Souza – disse; doce como mel, essa voz tava me tirando a concentração e oprimindo o juízo que eu ainda tinha, perguntaria qualquer asneira ou idiotice só para ouvi-la falar, e estava me esforçando para não fazer isso. – E o seu?

     - Augusto, Augusto Luiz – E ambos sorrimos.

     Ainda estava impressionado com a voz, e continuava procurando o chocolate em minha boca quando o filme me pareceu o melhor assunto pra puxar assunto.

     - Bastante violento, não?

     - Bastante. Na verdade já to enjoada com tanto sangue – colocou a mão defronte a boca e sorrimos da sua pequena encenação dramática.

     - Eles estão gostando... – continuei, apontando para o resto da galera.

     - Não sei como, viu? – meneou a cabeça, negativamente – Você parece que não tá gostando...

     - É, num to não. Na verdade, a sua companhia tá melhorando muito isso aqui. – galanteei.

     Pareceu constrangida e deu um sorrisinho, de leve, quase imperceptível. Isso despertou em mim uma sensação de confiança, era quase um sussurro na boca do ouvido, que dizia: “Vai, meu filho, ela tá afim. Vai fundo, parceiro!”. É algo que só se sente lá, na hora, quando o coração, batendo mais forte e rápido, se enche de certeza.

     - Gentileza sua – Ela falou após. Estava afim. Até a pessoa mais burra, imbecil e lerda do mundo, que no caso, no momento e circunstância era eu, já havia percebido isso.Do Beijo'

     - Olha, eu não to nem um pouco disposto a assistir esse filme. Será que cê pode me ajudar a não ter que assisti-lo? – Uma cantada evasiva; qualquer sintoma de recusa e temos as peças para contornar a situação. Deu certo, dava pra ver no rosto dela.

     - Como? – Não havia mais jeito, ela era minha e eu sabia disso.

     - Assim... – Aproximei-me dela até que nossos lábios estivessem colados; o beijo.

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Três de Três, do triênio romântico.

15 março 2011 0 comentários

Ela Me Deu Um Beijo Na Boca’

    Ela estava sentada no chão, com as costas apoiadas na parede e usava os braços para prender as pernas que estavam à sua frente. Tinha os joelhos abaixo da linha dos ombros, e foram eles que useiAtrás Da Porta' como apoio, quando ajoelhado fiquei na sua frente.

    Encontrava-se ali, lhe pedindo desculpas, pois outrora me comportei bastante mal; a moça me pedira um abraço e eu, distraído, dei um frio e insípido. Ela estava chateada, com raiva; contudo, não pelo que eu fizera, estava zangada por algo muito maior, algo ao qual eu não tive culpa e do que tinha conhecimento, algo que até a mim mesmo irritaria. Além de me desculpar, tentava consolar à ela, que eu tanto gostava.Samba E Amor'

    Se o ato pecaminoso cometido por mim foi um abraço frio, desandei a pedir para dar-me outro abraço, para que pudesse me redimir e assim retirar pelo menos um pouco de algo que a estivesse atormentando e deixando-a tão diferente do que estivera ainda depois do raiar do sol. Insisti, e ela negava, até que soltou um: “Saí daqui, me deixa. Me deixa só!”. Ou, para ser mais preciso, algo do tipo.As Vitrines'

    A recusa em nada me afetava e eu continuava ali; a gente volta e meia falava de assuntos diversos entre frases e outras. E, de repente, não mais que de repente, ela me deu um beijo na boca. A surpresa tomou-me, e só assim poderia ser. Enfim, ganhei logo o abraço, que dessa vez foi quente e com gosto de amizade.

    Só lembrando: Ela Me Deu Um Beijo Na Boca.

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    Alguns leitores de longa data, e de participação assídua, disseram que faltava ao blog algo mais romântico. Logo, já publiquei uma estória, publico outra agora e termino na próxima sexta a tríplice de narrações. Os links das imagens levam à poesias do Chico Buarque, tão intensas e lindas.

    Dois de Três, do triênio romântico. 

11 março 2011 1 comentários

Beija eu?!

    Era linda. Tanto que ultrapassava quaisquer que fossem minhas pretensões. Era demais para mim, e eu sabia disso. Portanto, não encare qualquer ação minha senão como loucura, ousadia ou coragem. Mas, prefiro dizer que foi audácia.

Aquele Meio Sorriso'

     Realmente não queria saber de sair naquela noite de sexta – o que era meio estranho, já que amo sair às sextas, na faixa da lua. Mas, o fiz, sob uma incomum influência de alguns. Fomos à praça, na qual havia uma temperatura agradável, um sonzinho – voz e violão – fantasticamente romântico, e um cheiro de ar puro que há muito não via.

     Encostei-me no cais, juntamente com meus acompanhantes, e foi então que a vi chegar.

     Já a tinha visto algumas vezes, já havia inclusive falado com ela, mas não havia sequer nenhum motivo para sentar-se ao meu lado, como ela o fez em seguida. Cumprimentamo-nos. Eu, que devia sentir a naturalidade de quem nada espera, estava um tanto abalado pela beleza ao meu lado.

     Inesperadamente, surgiu um papo um tanto sério em meio à gandaia dos demais. Entreguei-me totalmente a conversa, encantado por tamanha presença. Aos poucos, todos foram se retirando, para outros afazeres, e nós não percebemos. Mas, apenas posso garantir que eu não percebi.

     Ela tinha um papel em mãos, que julguei estar em branco, e este voou com o vento. Já fazia frio, e, embora eu ame o frio, estava incomodado; não por mim, mas por talvez ela não estar bem. Fui apanhar o papel, que fugia do meu alcance, com cada rajadinha a mais.

     Quando enfim consegui, estava há uns dez metros dela. Ao virar-me, deparei com um sorriso deOlhar Atrevido' meia boca, extremamente cativante, apaixonante para qualquer cristão. Não era um riso de agradecimento pelo papel, ou pelo esforço; tampouco era de comicidade por a situação. Era aquele sorriso, aquele que me encheu de uma esperança repentina e de uma coragem pesada, de enorme que era.

     Depois, veio o olhar. Um olhar convidativo, levemente malicioso. Um olhar que endossava minha ousadia, minha certeza em algo tão imprudente e impensado, completamente irracional e louco. Fui andando até ela, com o papel já muito molhado de tanto suor, as pernas bambas e o juízo completamente exilado. Beijo'

     Juro que em algum momento pensei em fugir, sair correndo antes de fazer alguma besteira. Mas, antes que pudesse sequer cogitar a possibilidade real de fazê-lo, já estava em frente à ela, entregando-lhe o seu pertence. Cheguei bem perto, quase em um abraço, tentando ser galante. Pus meu nariz em frente ao dela, e meus olhos não suportaram a intensidade daquela lindeza. Fecharam-se, e nem mesmo percebi a frase que fugiu dos meus lábios, tão próximos dos dela, em um sussurro pedinte, ansioso, maluco:

     - Beija eu?!

      E então a noite pareceu curta demais...

 
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