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02 janeiro 2013 0 comentários

O mundo não é chato.

     O mundo não é chato, meu querido, mas está somente e insuportavelmente assim. Não do verbo ser, mas, do estar; o mundo vem de bizarras normalidades, e, por esses tempos, te juro, Horácio, que anda infinitamente mais cinza e sem graça como talvez – não me lembro – nunca tenha realmente estado. Aqui chove, meu amigo, e tampouco sabe-se que existe luz.

      Porque o mundo, inevitavelmente, é cruel, e capaz de te destruir absolutamente com alguns poucos segundos. As situações trabalham pra que cada um de nós, qualquer dia, venha a sofrer; e, acredite, parte dessa crueldade reside em uns sofrerem mais que outros e sermos, até mesmo quando o assunto é sofreguidão, intensa e profundamente diferentes.

      A verdade é que os poetas estão errados sobre as dores; que aqueles que escrevem frases sobre elas estão enganados, ou, mais maliciosamente, escondendo a verdade; que tudo sobre as dores é propositalmente acompanhado de uma pequena tentativa de dizer que tudo vai passar. A verdade, Horácio, é que as dores são como as gripes: são de uma variedade imensa e, contra elas, não há imunidade qualquer; cura-se de uma e outra vem, quase sempre pior.

Lágrima;

21 setembro 2012 0 comentários

Onde eu nasci passa um rio.

      Onde eu nasci passa um rio de saudade. Saudade sim, com aquele leve gosto amargo de exílio, que floresce no fundo da alma, como se aquele rio passasse em meu coração, e dele meu corpo não pudesse ficar-se longe. Onde eu nasci jorra saudade em forma de rio, como se isso fosse inteiramente possível.

      O rio da minha terra também exala paz, tranquilidade. Caminha por sobre a terra sem nenhuma pressa de chegar ao mar, como se nele não deságuasse, como se ele pouco importasse. Ou, como se o tempo não fosse nada senão um capricho da natureza que o meu rio, por fim, se recusava a obedecer.

Jacobina!

15 junho 2012 0 comentários

Mamãe, coragem!

     Mamãe, não chore. Não chore nunca mais! Pegue uns panos pra lavar, leia um romance; leia ‘Alzira Morta Virgem’, ou o ‘Grande Industrial’. Não chore por essas minhas palavras, seja feliz! Seja feliz! O teu riso amarelado combina muito mais com teu rosto do que aquele seu nariz vermelho e aqueles seus olhos grandes e feios de tão inchados... Siate felici!

     Só não chore. Não adianta, a vida é assim mesmo... Nem sempre temos o que queremos, e contigo não seria diferente, mamãe. Então, quando alguém te fizer mal, mesmo que esse alguém fosse eu, procure se ocupar de alguma coisa; veja as contas do mercado, pague as prestações, mas, não fica pensando na tristeza, e se trata pra mandá-la embora e seja feliz.

Mãe! :)

04 abril 2012 2 comentários

Elas & Eu II

     Quem, em sã consciência, poderia dizer que coisas podem continuar da mesma forma na distância? Pode ser até que alguém fale por falar. Eu não. Eu falo porque devo ser louco, ou porque, certamente, vivo isso com elas. Elas e eu continuamos exatamente da mesma forma (alegres, unidos, nos amando), de um jeito diferente (nos adaptando sempre pra continuarmos juntos).

     E continuamos. Continuamos, sem medo, contrariado todas as expectativas. Todos diziam, e até a natureza dizia, que estávamos condenados à decadência e, no entanto, nos mostramos todos os dias mais fortes, cada dia mais unidos para enfrentar a distância, quase como ela fosse apenas um bebê chorão que precisa ser acalmado e contornado. E lidamos com isso como bons pais.

     Porque a nossa filha (a nossa amizade) já sobrevive sozinha. E é ela que alimenta e é alimentada por nosso amor. Ela já é, de certa forma, grandinha o suficiente pra se manter sozinha, sem precisar de cuidados exagerados ou de mimos extrapolados e, digamos, pra manter seu pai e suas mães unidos, como ou mais que antes; nunca menos. Elas & Eu

24 fevereiro 2012 0 comentários

Nóis na URFB!

   Nóis no futuro!  Fala ai, galera do mal! Tudo belezinha com vocês? Provavelmente, deve não estar. Afinal, metade de vocês usa a internet tanto que ela acaba entediando, ou tão pouco que ela acaba sendo a droga que vos vicia e, depois, na falta, os deixam caídos na sarjeta, sem piedade nenhuma.

     Mas, já que vocês não perguntam como estou, digo mesmo assim: Estou bem feliz, e, embora não tenha me dedicado tão bem quanto meus amigos, passei em alguns vestibulares, e escolhi o que me parecia a melhor opção: Jornalismo, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia.

     Para quem é leitor do Errático, vou vos dizer também que passei na UNEB, embora vocês saibam que não estudei, no bom baianês, porra ninhuma. Pois sim, fui convocado pra estudar Administração de Empresas por lá, mas a ideia não me caiu tão bem e eu revolvi não ir pra Salvador até passar na UFBA pra Jornalismo.

14 agosto 2011 3 comentários

Meu pai.

     Sempre me achei mais parecido com meu pai, do que com minha mãe. Não em termos de aparência, mas de jeito, propriamente falando. Às vezes noto em mim mesmo o mesmo ar sereno e calmo com que ele enfrenta a vida, o jeito calado, quase mudo, que ele emprega à certas situações. Enfim, a naturalidade com que ele lida com uns acontecimentos, me é tão familiar, que a enxergo em mim, e apenas em nós dois.

     Talvez por isso eu me considere mais parecido com ele, por essa característica tão diferente que nós compartilhamos. Claro que posso, em algumas vezes, chegar ao nervoso extremo, ao stress profundo, e, herdando os genes de minha mãe, soltar o verbo e descer o porrete, como já o fiz algumas vezes. Mas, é ao jeito de meu pai que volto, quando tudo passa, quando a tempestade se esvai. É intensamente o que prefiro, o que gosto.

     Quantas vezes já vi meu pai com um olhar tranquilo e sereno, chegando a parecer vazio até, quando todos à sua volta arrancavam os cabelos e liquidavam o juízo...? Quantas vezes já ri daquilo e achei tudo o máximo...? Muito. E, ah, eu ainda acho. Ou melhor, acho inda muito mais. De meio sorriso no rosto, vejo, com satisfação, o quanto somos parecidos.

     Podem até haver pessoas que achem o nosso relacionamento, como algo não muito bom, ou até mesmo ruim para pai e filho. Meu pai pode até achar isso, como até eu às vezes acho. Mas, pai, a certeza de que nos damos bem, é a certeza de que o nosso papo calado é uma herança sua. Não somos de falar muito em certas situações. Não somos de estender assuntos mórbidos. Somos assim, e, creio, nos compreendemos como somos. E, ninguém mais, compreenderia isso.Kleber, Milena, Augusto.

     Hoje, quando acordei, me veio a frase, que ficou martelando por minutos em minha cabeça: “Tenho que abraçar o meu pai!”. Mas, não como obrigação, era como desejo, como se eu precisasse daquilo, de uma forma quase que substancial, como se viesse se acumulando por muito tempo, e como precisasse se realizar naquele momento.

     Pai, mais do que tudo, te admiro pelo que tu és, pelo que você fez por mim. Quando eu terminar de crescer, quero ser igual você. Assim, desse seu jeito que eu tanto gosto. Esse seu jeitão calado, de não se importar com o que não merece sua importância, esse seu jeito de enfrentar – e vencer – tudo. Pai, você é um exemplo de homem, de pai. Um exemplo que eu pretendo seguir à risca, sem tirar, nem pôr. Pai, é que eu precisava dizer que te amo. Mas, acho que já fiz isso, naqueles abraços de hoje, sem falar absolutamente nada.

    Eu te amo, pai!

A partir de hoje, o Errático terá post’s às terças (políticos, sérios, polêmicos, etc.), às sextas (cômicos, humorísticos, românticos, etc.) e também aos domingos (as séries – ou seja, uma série de post’s sobre determinado tema); Assim, sendo, agora o Errático passa a ter 3 postagens semanais, e não apenas duas, como havia tendo. Abraço, Augusto Luiz.

31 maio 2011 1 comentários

Vermelho E Derretido!

     Andei muito estranho esses dias. De um jeito que nem mesmo eu conseguia suportar, um jeito que maltratava por dentro o meu ser. Andei deveras diferente, aquém daquilo que sempre fui, até que o meu corpo expurgasse esse jeito, de forma lenta e gradual, e retornasse um pouco ao que era. Ainda não completamente, ainda um tanto distante do ideal.

     Acredito que o foco da mudança tenha mesmo sido o exagero da racionalidade, a perda de um pouco do sentimento que sempre prezei e ao qual sempre tive admiração. Não sei como, mas me sentia, nos últimos tempos, quase como um robô, deixando de lado alguns valores, prezando a justiça frente à misericórdia e aos maiores sentimentos. Coisa que nunca fiz muito, que nunca gostei.

Vermelha!

     E quando me vi engendrado no mundo dos negócios, barganhando feito um insensível, falando sem quaisquer emoções, em um discurso quase que ensaiado, e com a retórica na ponta da língua apenas visando o lucro, e quando vi os sucessos de todo esse emaranhado de situações frias e calculadas, foi que novamente percebi, que novamente lembrei algo que vinha perdendo um pouco nos últimos tempos: os verdadeiros motivos meus ideais, me aproximam muito mais do socialismo idealista, do que do capitalismo; minha bandeira é vermelha.

     E notei, em uma situação que vivi há pouco. Quando, negociando para uma festa, peguei-me pensando em cobrar de uma simples baiana, que ganhava a vida vendendo seus acarajés, uma taxa. Logo após concatenar aquela ideia, me repudiei e vi o quanto era louca esta minha fase. Ora, bolas, onde tinha parado o meu senso de cooperação, de ajuda aos outros? Percebi que o meu sincero comunismo, havia se transformado em algo feio e repudiável.

     E não entenda comunismo e socialismo, dos que faloDerretido, aqui, como algo parecido com o que vocês já tenham visto. É algo meu, é uma reinvenção minha, da qual nem mesmo Marx pode discordar. Pois isso convive comigo e obedece às minhas leis e àquilo no que acredito, nasceu com o meu ser e adequa-se à ele e somente à algo que julgo maior que tudo: o amor.

     Portanto, para o bem geral da nação, e meu, quero voltar. Serei novamente fraco e tolo, bobo e ingênuo. É assim a minha essência e assim que quero ser, porque gosto, porque àqueles que realmente que amo, gostam. Viverei assim, amarei assim, pois assim foram os melhores momentos da minha, já nada curta, vida. A bandeira é vermelha e o coração é derretido. No mais, se houverem consequências, tratá-las-ei com misericórdia, ou, em uma pequena exceção, com justiça.

* Esclarecimento:

     Por algum motivo, que desconheço, não consegui postar na última sexta-feira. Portanto, o post agendado para tal dia, só pôde ser publicado hoje. De qualquer forma, peço desculpas aos leitores, acostumados à tradição do nosso blog.

* Mudança:

     A partir do próximo post, o blog irá inaugurar uma nova fase. Além de uma mudança que planejo no seu visual, também enfrentará mudanças na sua estrutura. Os posts de terça-feira assumiram temas mais sérios, polêmicos e/ou discursivos. Os de sexta, por sua vez, terão caráter mais cômico e/ou sentimental. E assim, agradeço.

 
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