Caetano no Oscar. Lembro que uma parte do Brasil vivia a apresentação do músico na cerimônia máxima do cinema mundial como um evento de orgulho nacional, como se estivéssemos com ele, controlando cada timbre da sua voz marcante e colocando no tom o baiano que nunca desafina. Éramos todos nele, e ele era a cara do nosso Brasil.
Quando subiu ao palco do Kodak Theatre, em Hollywood, ao lado da cantora mexicana Lila Downs, Caetano tornou-se o primeiro brasileiro a cantar em uma cerimônia de entrega do Oscar. Nós, que já tínhamos torcido por Fernanda Montenegro outrora, então torcíamos por o baiano, que elegantemente trajava um justo terno preto e se comportava como uma estrela.
Estrela que, em mais de cinquenta anos de carreira, jamais deixou de brilhar. Entre altos e médios, Caetano jamais esteve longe do topo, dos holofotes da música brasileira, por ser a especial figura daquele que nunca se torna velho. Sem dúvidas, o baiano jamais sucumbiu à improdutividade – tão marcante em vários colegas seus – e jamais foi “a mesma mesmice”.
“O tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece”.


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